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quando sento no chão para abrir a mala de fotos da minha memória, 2025
peças de quebra-cabeça, moldura sanduíche de vidro, 14 quadros, 25 x 20 cm cada
peças de quebra-cabeça, moldura sanduíche de vidro, 2 quadros 70 x 50 cm cada
trabalho na exposição gostaria de lembrar mais das coisas que gostaria de lembrar, 06 de maio de 2025 à 28 de maio de 2025, galeria de arte univali, itajaí, sc
fotografias por mathý groszewica
quando sento no chão para abrir a mala de fotos da minha memória apresenta uma série de quadros construídos a partir de quebra-cabeças formados por imagens do meu acervo fotográfico familiar. as fotografias, registradas de forma analógica ao longo de mais de dez anos, foram arquivadas em negativos e permaneceram esquecidas pelo tempo, guardadas em baixo de gavetas em meio a poeira. para a produção dos trabalhos, os negativos foram digitalizados, catalogados e arquivados. a partir da curadoria das imagens, realizou-se a montagem dos quebra-cabeças, aliando as narrativas das próprias fotografias a processos da memória, como lembrar, esquecer, substituir, mesclar, arquivar, recuperar e apagar. os quadros apresentam composições de imagens remontadas que revelam deslocamentos e ausências: peças que faltam, peças que mudam de lugar, peças que se perdem e peças que produzem encontros improváveis. a imagem do aniversário de 9 anos de meu irmão se liga à cena dos meus pais trocando alianças na secretaria da igreja. as imagens se esforçam para pertencer umas às outras. tudo se embaralha com o tempo. pedaços das memórias se perdem, outros se apagam. algumas tonalidades se esmaecem pela luz, outras são veladas pelo tempo. peças de diferentes fotografias se conectam, produzindo imagens que até então não haviam existido. agora meu pai e minha mãe coexistem em uma mesma foto, parados em frente ao fusca bordô. os encontros geram novas memórias, e, à medida que realizo meu exercício mnemônico, construo um quebra-cabeça de minha própria memória.



